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01/06/2010

Depressão pré-parto

Nossa, tá tudo muito parado por aqui. Confesso que estou sem inspiração nenhuma pra escrever.
Todos dizem que o segundo trimestre de gravidez é a melhor fase. Após passar todo aquele perrengue dos 3 primeiros meses, o quarto traz o alívio e a sensação de que tudo está bem, a barriga crescendo, você se sentindo mais grávida e tals... balela. Pelo menos pra mim.

Graças a Deus tive um 1º trimestre ótimo. Não enjoei muito, não chamei o "hugo" nenhuma veizinha, só engordei mais do que devia... rs. Nos dias em que estava de ressaca, mesmo há um tempão sem beber, essa era a sensação, que havia tomado um porre daqueles no dia anterior, eu me obrigava a comer de 2 em 2 horas em média pra tirar aquele gosto de "cabo de guarda chuva de alúminio" da boca. Resultado = 4kg se juntaram à minha silhueta.

Outro alívio é quando se completam as 13 semanas e após o morfológico você tem a certeza que está tudo bem com o seu bebê. Findou-se então o período das "trevas". Mentira!

No meu caso o 4º mes trouxe consigo a "depressão pré-parto". Não sei se isso existe, nem me dei ao luxo de procurar... Só sei que sentia, muitas vezes, uma tristeza dentro de mim e não sabia ao certo o por quê. Ao longo dos dias mais negros, várias perguntas pairavam a minha mente. Me perguntava se havia tomado a decisão certa, se iria ser capaz de amar esse serzinho tão desconhecido ainda, se a minha vida não se transformaria em uma chatisse, se resumindo a dar de mamar, trocar e colocar p/ dormir, e o pior, me culpava por estar pensando em tudo isso, por não estar curtindo a gravidez, e por estar passando p/ meu filho (a) todo esse estresse que ele (a) não merece sentir.
Pior que sei a resposta p/ todas essas angústias, mas tinha dias que elas insistiam em me atormentar. 

Sim! Sei que tomamos a decisão certa de termos esse filho agora, foi o momento que mais desejávamos, estamos bem financeiramente e emocionalmente (pelo menos eu acho, rs), e o desejo de sermos pais era cada dia maior, foram 2 meses de treinamentos intensivos e nas nossas férias nosso milagre se concretizou. Obrigada meu Deus!
Sim! Sei que amarei esse serzinho com toda a força da minha alma, e que ele será a pessoa mais importante da minha vida.
Não! Minha vida não será uma chatisse. Aliás, minha vida nunca será a mesma, e toda vez que eu acordar no meio da noite, bêbada de sono, pra dar de mamar ou trocar aquela fralda melequenta, sei que ao ver aquele rostinho (que eu ainda não consigo visualizar), aquele sorriso lindo, sentir o seu amor por mim, esses serão os melhores momentos da minha vida. E isso não tem preço.

Mas ainda me culpo por ter sentido tudo isso. Já conversei com algumas pessoas que dizem que esse tipo de dúvida é normal, mas sei lá, preferia que essas coisas nunca tivessem passado pela minha cabeça.

Agora me sinto melhor. Próximo de encerrar o 4º mês (amanhã  completo 18 semanas) sinto que o 5º mês me trará as verdadeiras alegrias desse estado gravídico.

Aguardemos!

15/01/2009

Revolta



Uma notícia triste que causa revolta. Posso estar me tornando uma corredora, mas tenho alma de ciclista. É revoltante o desrespeito a que estamos sujeitos nesse país que não tem uma cultura onde a bicicleta tem o seu espaço como meio de transporte, onde o transito nas grandes cidades mais se parece com um campo de batalha, e o pior é o descaso das autoridades com relação a isso. Abaixo matéria do jornal Estado de São Paulo:



Ônibus tenta ultrapassar ciclista na Paulista, mas a atropela e mata

Vítima usava bicicleta todos os dias para trabalhar; motorista diz que nunca se envolveu em nenhum acidente
Rodrigo Brancatelli

A bicicleta roxa com o guidão torcido e a bolsa com apetrechos para massagem contam um pouco da história de Márcia Regina de Andrade Prado, de 40 anos, atropelada ontem por um ônibus na Avenida Paulista, região central de São Paulo. Massagista por profissão e ciclista por opção, ela sempre usava a bicicleta para ir de casa, no bairro do Ipiranga, na zona sul, até a residência dos clientes. Às 11h50 de ontem, pedalava na altura do número 1.150 da Paulista, sentido Consolação, quando perdeu o controle e caiu no asfalto. A roda traseira de um ônibus passou por cima de sua cabeça. Márcia morreu na hora - só às 16h15 foi possível liberar totalmente a avenida.A massagista é mais uma vítima da guerra diária que envolve motoristas, motociclistas, pedestres e ciclistas. Todos os dias, o trânsito de São Paulo mata em média 4,3 pessoas e fere com alguma gravidade pelo menos outras 72 - uma "epidemia" que faz mais vítimas fatais que aids, insuficiência cardíaca e tuberculose, conforme revelou o Estado em setembro.Segundo testemunhas do acidente, o ônibus guiado por Márcio de Oliveira acelerou e avançou na segunda faixa para ultrapassar a massagista, que circulava perto do meio-fio. Quando voltou, aparentemente acabou acertando o guidão da bicicleta. Oliveira, de 53 anos, é motorista há 28 anos e afirmou em depoimento que nunca havia se envolvido em acidentes. Ele disse ainda que parou o ônibus depois de ter ouvido uma pancada seca.O Instituto de Criminalística vai fazer agora um laudo técnico para tentar descobrir por que Márcia perdeu o controle da bicicleta. Não há previsão para conclusão. A massagista sempre falou para os familiares que, se algo acontecesse com ela, queria que seu corpo fosse doado para uma faculdade de Medicina - ontem à noite, a sua mãe viajou do interior de São Paulo para a capital para assinar o documento de liberação no Instituto Médico-Legal (IML) e a autorização para doação do corpo. No mesmo horário, 20 ciclistas fizeram o percurso do IML até o local do acidente carregando flores e velas.Márcia fazia parte do grupo Bicicletada e assinava o Manifesto dos Invisíveis, documento que pede a adoção da bicicleta como meio de transporte, com mais investimentos na construção de ciclovias. "Ela não usava ônibus, não tinha carro, fazia tudo de bicicleta", disse o arquiteto Daniel Ingo, companheiro de passeios de Márcia. "No domingo mesmo fomos para a praia pedalando." Para o ciclista Albert Pelegrini, que também faz parte do Bicicletada, Márcia foi vítima de uma disputa que acontece todos os dias no asfalto da Paulista. "É uma manobra padrão dos ônibus acelerar e fechar a bicicleta", diz. "A gente fica sem saída. A Márcia era experiente, o problema é que sempre tratam a gente como uma coisa invisível."